terça-feira, 17 de novembro de 2009

SINAIS

Estava numa verdadeira encruzilhada. Dos diversos sinais que encontrava poucos sabia interpretar, se é que sabia interpretar algum!
Afastado voluntariamente da circulação, refugiado nas teias que foi construindo, já não sabia ler e decifrar as distintas pistas que lhe iam colocando no caminho. Tinha sobretudo dificuldade em distinguir o que verdadeiramente importava e o que, em essência, lhe queriam transmitir. Mas, o que seriamente o mortificava era a possibilidade de se magoar ou magoar alguém.
Fiel a princípios que provavelmente já não estavam em uso, crente na bondade das suas convicções, não percebia que muita coisa havia mudado e que (para o bem ou para o mal), o seu mundo estava em desconstrução.
Os medos que o assaltavam eram os mesmos com que sempre convivera, mas agora pareciam que tinham outra dimensão, outros contornos e outros significados.
Tinha que encontrar respostas, se pretendia sair do labirinto onde se encontrava. Havia muitas respostas que só ele as podia dar, mas também lugar para as ajudas que outros lhe dispensassem.
O problema – pensava – era que os caminhos pareciam cada vez mais difíceis de trilhar, as curvas continuavam cada vez mais apertadas e a estrada do destino não tinha sinalização.
Se o queriam ajudar precisava, com urgência, que lhe explicitassem as sinaléticas, que lhe descodificassem as mensagens, que lhe clarificassem as veredas.
De nada valerá acenar-lhe apenas com palavras caridosas e piedosas intenções!

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