sexta-feira, 29 de maio de 2009

Teoria e prática

Cada vez mais, e com mais frequência, se instala perante os nossos olhos a descomunal diferença entre o que dizemos e o que fazemos. Já não são apenas os políticos ou os vendedores de sonhos, não: somos todos nós! Uns mais que outros, claro.

O que se passa à nossa volta, na nossa casa, com os nossos amigos, se bem o analisarmos, é um completo desfasamento entre o que afirmamos e aquilo que, na prática, realizamos. Uns e outros não nos damos conta deste fosso que cada dia se vai alargando e aprofundando mais. Começando nos mais altos cargos da Nação e descendo até ao mais humilde dos seres mortais, o que se encontra como reguladora e assustadora "normalidade" é este absurdo abismo.

Como alterar este estado de coisas? Como chamar à realidade cada um de nós?

terça-feira, 19 de maio de 2009

A estranheza da vida



“Aproveita os momentos de descanso e medita na estranheza da tua vida”, dizia-nos uma voz fardada, em Setembro de 1969, junto à foz do rio Lizandro. Nunca mais esqueci tal frase. Desde esse dia que a estranheza da vida me persegue e atormenta. De muitas vidas!
Apesar de continuamente meditar, não encontro lenitivo para mitigar ou ultrapassar muitos dos percalços que, nesta vil e triste vida, me são colocados. E, não descanso!
Longe (muito longe!) de me considerar um ser exemplar, persigo caminhos de rectidão e honradez e, quando olho à minha volta, são poucos os companheiros que encontro nesta jornada. De presunção e água-benta, também tenho a minha dose… mas, quando questiono a minha vida as respostas não me provocam nem insónias nem inquietação.

Atravessamos um período de profunda perplexidade.
Oiço a rádio e a televisão. Leio os jornais. Em nenhum destes meios encontro isenção, pluralismo ou rigor de informação. Hipotecados a interesses inconfessados, tentam fazer de nós tolos ou, pior que isso, querem orientar-nos para as suas sórdidas conjecturas de vendilhões do templo.
E, a estranheza continua…

Conheço, todos conhecemos, o que para aí vai em matéria de vigarices, trafulhices e corrupção. Basta querer ver! Os novos colarinhos brancos que por aí pululam (e se juntam aos velhos colarinhos brancos), pavoneiam-se nos mais que evidentes e provocantes sinais exteriores de riqueza. Muitos deles enriqueceram da “noite para o dia” e ninguém os questiona ou averigua. E, dizem-se virtuosos!
A corrupção ameaça e cresce; cresce e ameaça. Neste ciclo infernal, parece que todos estamos ameaçados e acorrentados. E, o que é ainda mais chocante é a forma como estes vigaristas, trafulhas e corruptos se apresentam: todos se declaram de consciência tranquila. Que consciência? Esta gentinha não tem consciência…Mas tem bons advogados!

Pobres vidas, medíocres criaturas, que será delas quando todos meditarmos na estranheza destas vidas e acordarmos?