Combinámos o encontro junto à rotunda. Iríamos recordar situações com mais de 35 anos. Tempos que nos marcaram: uns bons, outros maus. Tinha sido, por exemplo, no carro dele que tive o meu primeiro acidente de automóvel. Por causa de uma raposa.
Eu tinha expectativas sobre como ele estaria passados estes anos todos. É possível que com ele acontecesse o mesmo. Imaginava-o gordo, vestido em loja chique, conduzindo um Mercedes. Nada mais errado! Quando um carro velho, cuja marca não consigo recordar, se aproximou e parou junto de mim, é que deduzi que seria ele. Se o visse na rua, possivelmente não o teria reconhecido. Estava magro, muito magro, a roupa não era de marca e o carro já tinha idade para estar na sucata. Ao entrar, verifiquei o estado descuidado que apresentava. Comecei a ficar angustiado com o pressentimento de que aquela visão poderia ser o prenúncio de uma vida difícil e complicada. Durante o café, confirmei as primeiras impressões e constatei, com sofrimento, as suas dificuldades. Almoçámos e passámos a tarde recordando os nossos tempos da tropa. Sobre a sua vida nada lhe perguntei, com receio de o ferir. Contou-me o que quis, como quis. Do que me foi relatando, creio que pouco posso reproduzir. Parece que o meu cérebro se recusou a registar os diversos acontecimentos de que me ia dando nota. Sobre uns, confesso que duvidei; sobre outros, penso que me mentiu. Tudo isto me atormenta. Tudo isso fez e faz aumentar a minha angustia.
Como foi possível atingir a situação em que se encontra? Que voltas a vida lhe deu? Que voltas deu ele à vida? Que fez ele com o futuro promissor que tinha nos anos 70?
Já vai no terceiro casamento e não sei se em algum deles foi feliz. Recordo, com algum estremecimento, que não fui ao seu primeiro casamento porque eu não tinha fraque (nem o quis alugar) e era condição para poder estar presente. Onde param todas essas fantasias?
Amigo, que caminhos te levaram à actual situação ?
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Subscrever:
Mensagens (Atom)