terça-feira, 1 de abril de 2014

Hoje


Hoje quase que me apetecia escrever!
Estou irritado, como me acontece algumas vezes , e não sei porquê. Nestas alturas, a vontade para deixar correr o pensamento por onde ele quiser, sem reservas e sem constrangimentos, quase vence o equilibrio que o bom senso me aconselha e a razão me aprisiona.
Não escrevo, nem tão pouco me permito grandes reflexões, talvez com receio das consequências desses pensamentos.  E' que, se fosse coerente, teria  ( ou deveria) de as por em pratica . Mas não, não sou coerente, nem com força capaz de avançar para novos caminhos.
Por outro lado, quando tento aprofundar os meus pensamentos, isso provoca  - quase sempre - algum sofrimento, uma vez que não sou  suficientemente forte para "dar o salto" para uma outra situação que, por ser desconhecida, causa desconforto e instabilidade emocional.
Ja' passaram algumas horas apos ter escrito o que atras se pode ler e, neste momento, se a irritação se atenuou apareceu  a minha velha companheira, a tristeza ! Com esta , a tristeza, tenho repartido longas e repetidas, repetidas e longas, caminhadas. Não sei quem se conhece melhor: se eu a ela ou ela a mim ! Temos - nos alimentado mutuamente !

terça-feira, 5 de novembro de 2013

tempo

Para que tudo passe depressa devemos andar devagar. Com o tempo, e o andar,  as coisas vão encaixando e tudo se torna mais claro e mais nítido.

domingo, 3 de novembro de 2013

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SINAIS

Estava numa verdadeira encruzilhada. Dos diversos sinais que encontrava poucos sabia interpretar, se é que sabia interpretar algum!
Afastado voluntariamente da circulação, refugiado nas teias que foi construindo, já não sabia ler e decifrar as distintas pistas que lhe iam colocando no caminho. Tinha sobretudo dificuldade em distinguir o que verdadeiramente importava e o que, em essência, lhe queriam transmitir. Mas, o que seriamente o mortificava era a possibilidade de se magoar ou magoar alguém.
Fiel a princípios que provavelmente já não estavam em uso, crente na bondade das suas convicções, não percebia que muita coisa havia mudado e que (para o bem ou para o mal), o seu mundo estava em desconstrução.
Os medos que o assaltavam eram os mesmos com que sempre convivera, mas agora pareciam que tinham outra dimensão, outros contornos e outros significados.
Tinha que encontrar respostas, se pretendia sair do labirinto onde se encontrava. Havia muitas respostas que só ele as podia dar, mas também lugar para as ajudas que outros lhe dispensassem.
O problema – pensava – era que os caminhos pareciam cada vez mais difíceis de trilhar, as curvas continuavam cada vez mais apertadas e a estrada do destino não tinha sinalização.
Se o queriam ajudar precisava, com urgência, que lhe explicitassem as sinaléticas, que lhe descodificassem as mensagens, que lhe clarificassem as veredas.
De nada valerá acenar-lhe apenas com palavras caridosas e piedosas intenções!

sábado, 31 de outubro de 2009

Labirinto

Agora tinha todo o tempo para si e, no entanto, nada conseguia fazer. Uma imensa preguiça tinha-o invadido e dele tomara conta. Não entendia os novos contornos da sua vida, se àquilo poderíamos chamar vida. Vagueava ao sabor de ventos que não conhecia nem, muito menos, dominava. Incapaz de dar um rumo à sua vida nem procurava encontrar explicação para aquele vazio. Era nesse ciclo vicioso que cogitava todos os dias sem, entretanto, encontrar qualquer resposta ou saída. Quando procurou encontrar uma solução avalizada disseram-lhe que vivesse mais a vida e pensasse menos. Ficou novamente perdido no seu próprio labirinto, incapaz encontrar uma saída com alguma luz. É certo que também não caíra no abismo, mas continuava sem encontrar uma porta que lhe permitisse respirar algum ar puro. Avesso a cedências sem justificação, ficava enleado nas suas meditações reconhecendo a impossibilidade de, sozinho, vencer os obstáculos que, em vez de ultrapassar, parece que colocava no seu caminho. Perdido na encruzilhada em que todos os dias se envolvia, não reparava que a vida se ia fechando cada vez mais e mais. A porta estava lá, mas ele não a encontrava. Até quando iria ficar no labirinto?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

REENCONTRO

Combinámos o encontro junto à rotunda. Iríamos recordar situações com mais de 35 anos. Tempos que nos marcaram: uns bons, outros maus. Tinha sido, por exemplo, no carro dele que tive o meu primeiro acidente de automóvel. Por causa de uma raposa.
Eu tinha expectativas sobre como ele estaria passados estes anos todos. É possível que com ele acontecesse o mesmo. Imaginava-o gordo, vestido em loja chique, conduzindo um Mercedes. Nada mais errado! Quando um carro velho, cuja marca não consigo recordar, se aproximou e parou junto de mim, é que deduzi que seria ele. Se o visse na rua, possivelmente não o teria reconhecido. Estava magro, muito magro, a roupa não era de marca e o carro já tinha idade para estar na sucata. Ao entrar, verifiquei o estado descuidado que apresentava. Comecei a ficar angustiado com o pressentimento de que aquela visão poderia ser o prenúncio de uma vida difícil e complicada. Durante o café, confirmei as primeiras impressões e constatei, com sofrimento, as suas dificuldades. Almoçámos e passámos a tarde recordando os nossos tempos da tropa. Sobre a sua vida nada lhe perguntei, com receio de o ferir. Contou-me o que quis, como quis. Do que me foi relatando, creio que pouco posso reproduzir. Parece que o meu cérebro se recusou a registar os diversos acontecimentos de que me ia dando nota. Sobre uns, confesso que duvidei; sobre outros, penso que me mentiu. Tudo isto me atormenta. Tudo isso fez e faz aumentar a minha angustia.
Como foi possível atingir a situação em que se encontra? Que voltas a vida lhe deu? Que voltas deu ele à vida? Que fez ele com o futuro promissor que tinha nos anos 70?
Já vai no terceiro casamento e não sei se em algum deles foi feliz. Recordo, com algum estremecimento, que não fui ao seu primeiro casamento porque eu não tinha fraque (nem o quis alugar) e era condição para poder estar presente. Onde param todas essas fantasias?
Amigo, que caminhos te levaram à actual situação ?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Teoria e prática

Cada vez mais, e com mais frequência, se instala perante os nossos olhos a descomunal diferença entre o que dizemos e o que fazemos. Já não são apenas os políticos ou os vendedores de sonhos, não: somos todos nós! Uns mais que outros, claro.

O que se passa à nossa volta, na nossa casa, com os nossos amigos, se bem o analisarmos, é um completo desfasamento entre o que afirmamos e aquilo que, na prática, realizamos. Uns e outros não nos damos conta deste fosso que cada dia se vai alargando e aprofundando mais. Começando nos mais altos cargos da Nação e descendo até ao mais humilde dos seres mortais, o que se encontra como reguladora e assustadora "normalidade" é este absurdo abismo.

Como alterar este estado de coisas? Como chamar à realidade cada um de nós?